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Opinião do Internista:
Evacuação de doentes para o exterior: Algumas sugestões |
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18-05-06
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“Por vezes
sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar, mas o
mar seria menor se lhe faltasse uma gota” |
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Dando sequência ao artigo intitulado “a outra Face da
doença”, publicado recentemente neste Jornal, venho hoje apresentar
algumas propostas que considero poderem contribuir para melhorar as
condições dos doentes em Cabo Verde, caso venham a merecer a atenção
devida por parte dos responsáveis políticos (de Cabo Verde e de Portugal),
mas, também, por parte dos cabo-verdianos espalhados por esse mundo fora.
Tendo em conta a pertinência do assunto gostaria de poder contar com a
colaboração cuidadosa de todos aqueles que se preocupam com o
desenvolvimento do país e com o bem-estar dos seus conterrâneos. Gostaria
que me enviassem comentários, críticas e sugestões de modo a permitir
maior rigor na elaboração de um documento oficial que pretendo enviar ao
governo de Cabo Verde, manifestando a preocupação da sociedade civil, a
sua vontade e o seu inevitável envolvimento na resolução de um problema
que, directa ou indirectamente, nos toca a todos.
1.
Cabo Verde enfrenta, actualmente, o grave problema da falta
de médicos especialistas e de condições materiais necessários para o
diagnóstico precoce, atempado seria a terminologia mais adequada, da
maioria das patologias crónicas. As doenças Oncológicas são diagnosticadas
tardiamente e a evacuação dos doentes é feita numa fase em que o
tratamento curativo é impossível, portanto são evacuados para paliação
(só!). Tais evacuações mais
não são do que desperdício de dinheiro e aumentam o sofrimento do
paciente, que se vê condenado a morrer longe da família. A formação de
especialistas requer dinheiro e tempo, consequentemente, não vai ser
solução para o país a curto prazo. O regresso definitivo dos muitos
especialistas na diáspora não tem sido possível e as razões podemos
discutir num próximo trabalho. 2.
Aproveitando as novas tecnologias e as facilidades de
comunicação através da Internet, a telemedicina deve merecer a nossa
especial atenção. A OMEC tem médicos com conhecimentos de informática que
poderiam ser aproveitados no sentido de se criar um mecanismo de
intervenção onde seriam aproveitados os conhecimentos e as experiências
dos médicos cabo-verdianos espalhados por esse mundo fora. Pensamos, pois,
que o desenvolvimento da telemedicina é útil para o país.
3.
A junta médica cabo-verdiana tem a responsabilidade de
propor a evacuação de doentes para o exterior. As autoridades portuguesas estudam as propostas e, caso
aceites, decidem sobre a instituição hospitalar a receber o referido
doente. Conhecendo a
burocracia portuguesa é fácil de perceber que se trata de um processo
bastante demorado. A nossa proposta é que Cabo Verde faça pressão para que
haja uma representação, um médico cabo-verdiano (ou a própria OMEC), junto
da instituição portuguesa responsável por esse processo (direcção geral de
saúde). Atenção não pretendemos fazer parte da direcção geral de saúde em
Portugal, pretendemos sim, uma colaboração voluntária com àquela
instituição. O objectivo seria fazer pressão para que as decisões fossem
tomadas em tempo oportuno. É claro que estaremos lá para
importunar! 4.
A solidariedade de todos os cabo-verdianos é indispensável
neste processo. A sociedade civil tem, pois, um papel importante também a
desempenhar. A Sra. Grace Beatriz, autora do livro “saudades do Danny”,
pretende criar uma fundação destinada a ajudar os doentes cabo-verdianos
evacuados para Portugal. Tendo acompanhado de perto a situação de um jovem
cabo-verdiano que morreu em Lisboa, vítima de Leucemia, esta grande
SENHORA ficou bastante sensibilizada com a situação dos doentes
oncológicos e tem-se manifestado uma verdadeira heroína na procura de
possíveis soluções para o problema. A Grace vive na Holanda e pretende
criar uma fundação para apoiar os doentes cabo-verdianos em Portugal. A
iniciativa é de louvar e merece o apoio - também financeiro - de todos os
cabo-verdianos. Aproveito, assim, a liberdade que me é concedida neste
espaço para pedir, em nome da Grace e em meu nome pessoal, a colaboração
de todos neste grandioso projecto, pois, é bom que tenhamos sempre
presente a frase de A. Montagú: “ao perdermos o interesse apaixonado pelos
nossos semelhantes, perdemos a capacidade de sermos felizes”
*Assistente Hospitalar Especialista em Medicina
Interna |
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A Semana (18-05-2006)