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Opinião do
Internista: Evacuação de doentes para o exterior: Algumas sugestões |
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“Por
vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar,
mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota” |
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Dando
sequência ao artigo intitulado “a outra Face da doença”, publicado
recentemente neste Jornal, venho hoje apresentar algumas propostas que
considero poderem contribuir para melhorar as condições dos doentes em
Cabo Verde, caso venham a merecer a atenção devida por parte dos
responsáveis políticos (de Cabo Verde e de Portugal), mas, também, por
parte dos cabo-verdianos espalhados por esse mundo fora. Tendo em conta a
pertinência do assunto gostaria de poder contar com a colaboração
cuidadosa de todos aqueles que se preocupam com o desenvolvimento do país
e com o bem-estar dos seus conterrâneos. Gostaria que me enviassem
comentários, críticas e sugestões de modo a permitir maior rigor na
elaboração de um documento oficial que pretendo enviar ao governo de Cabo
Verde, manifestando a preocupação da sociedade civil, a sua vontade e o
seu inevitável envolvimento na resolução de um problema que, directa ou
indirectamente, nos toca a todos. 1.
Cabo
Verde enfrenta, actualmente, o grave problema da falta de médicos
especialistas e de condições materiais necessários para o diagnóstico
precoce, atempado seria a terminologia mais adequada, da maioria das
patologias crónicas. As doenças Oncológicas são diagnosticadas tardiamente
e a evacuação dos doentes é feita numa fase em que o tratamento curativo é
impossível, portanto são evacuados para paliação (só!).
Tais
evacuações mais não são do que desperdício de dinheiro e aumentam o
sofrimento do paciente, que se vê condenado a morrer longe da família. A
formação de especialistas requer dinheiro e tempo, consequentemente, não
vai ser solução para o país a curto prazo. O regresso definitivo dos
muitos especialistas na diáspora não tem sido possível e as razões podemos
discutir num próximo trabalho. 2.
Aproveitando
as novas tecnologias e as facilidades de comunicação através da Internet,
a telemedicina deve merecer a nossa especial atenção. A OMEC tem médicos
com conhecimentos de informática que poderiam ser aproveitados no sentido
de se criar um mecanismo de intervenção onde seriam aproveitados os
conhecimentos e as experiências dos médicos cabo-verdianos espalhados por
esse mundo fora. Pensamos, pois, que o desenvolvimento da telemedicina é
útil para o país. 3.
A
junta médica cabo-verdiana tem a responsabilidade de propor a evacuação de
doentes para o exterior. As
autoridades portuguesas estudam as propostas e, caso aceites, decidem
sobre a instituição hospitalar a receber o referido doente.
Conhecendo
a burocracia portuguesa é fácil de perceber que se trata de um processo
bastante demorado. A nossa proposta é que Cabo Verde faça pressão para que
haja uma representação, um médico cabo-verdiano (ou a própria OMEC), junto
da instituição portuguesa responsável por esse processo (direcção geral de
saúde). Atenção não pretendemos fazer parte da direcção geral de saúde em
Portugal, pretendemos sim, uma colaboração voluntária com àquela
instituição. O objectivo seria fazer pressão para que as decisões fossem
tomadas em tempo oportuno. É claro que estaremos lá para
importunar! 4.
A
solidariedade de todos os cabo-verdianos é indispensável neste processo. A
sociedade civil tem, pois, um papel importante também a desempenhar. A
Sra. Grace Beatriz, autora do livro “saudades do Danny”, pretende criar
uma fundação destinada a ajudar os doentes cabo-verdianos evacuados para
Portugal. Tendo acompanhado de perto a situação de um jovem cabo-verdiano
que morreu em Lisboa, vítima de Leucemia, esta grande SENHORA ficou
bastante sensibilizada com a situação dos doentes oncológicos e tem-se
manifestado uma verdadeira heroína na procura de possíveis soluções para o
problema. A Grace vive na Holanda e pretende criar uma fundação para
apoiar os doentes cabo-verdianos em Portugal. A iniciativa é de louvar e
merece o apoio - também financeiro - de todos os cabo-verdianos.
Aproveito, assim, a liberdade que me é concedida neste espaço para pedir,
em nome da Grace e em meu nome pessoal, a colaboração de todos neste
grandioso projecto, pois, é bom que tenhamos sempre presente a frase de A.
Montagú: “ao perdermos o interesse apaixonado pelos nossos semelhantes,
perdemos a capacidade de sermos felizes” *Assistente
Hospitalar Especialista em Medicina Interna |
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A Semana (18-05-2005)